Casos de uso do Open Banking: a era da inovação nos serviços financeiros

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O mercado financeiro global está sendo revolucionado com as novas tecnologias e paradigmas, aliás, no Brasil já há exemplos de casos de uso do Open Banking, assim como o mercado nacional pode se inspirar em casos de outros países.

Ainda que o sistema de compartilhamento de dados sofra muita resistência dos usuários, o Brasil tem muito potencial. Como proxy, o Open Banking poderá ter o mesmo sucesso do PIX, que em pouco tempo se tornou o método de pagamento preferido dos brasileiros, mas que no início também teve resistência.

Como Bruno Diniz comenta, é fundamental que as instituições financeiras invistam em propagar o que os clientes ganham com o uso do Open Banking. Aliás, são muitos os benefícios do sistema.

Neste artigo será explorado mais sobre esse novo ambiente inovador do Open Banking (ou mesmo Open Finance) e trazer exemplos de casos de impactos reais da nova tecnologia.

Como o uso do Open Banking está criando um ambiente de inovação no Brasil.

Como o Open Banking permite um ambiente mais inovador

O Open Banking é um novo sistema que permite o compartilhamento de dados de clientes entre instituições financeiras. Assim, o sistema financeiro será “aberto”, com base no conceito de dados abertos a partir do consentimento dos clientes.

Dessa forma, as pessoas terão total poder sobre seus dados, podendo transferi-los e compartilhá-los com as empresas que desejarem. Por esse fato, empresas não-financeiras poderão oferecer serviços e produtos financeiros por meio de integração com as instituições membros do ecossistema.

Ao passo que hoje o cliente tem uma relação individual, ou seja, ele se relaciona direto com cada banco e instituição financeira. Dentro do Open Banking Brasil haverá parceiros não-financeiros centralizando tudo isso, integrando toda a experiência, uma vez que bancos e outros parceiros estarão no mesmo lugar compartilhando as informações.

Ter estruturas individuais e proprietárias para diferentes serviços, como pagamentos, seguros e empréstimos, gera uma complexidade técnica e tecnológica enorme. Os clientes em si não veem essa complexidade, mas sentem a lentidão e falhas que acontecem por não haver a integração de dados.

Enquanto isso, o Open Banking simplifica e centraliza essas informações. De modo a criar uma experiência única que pode ser replicada facilmente entre diferentes canais.

No celular ou no computador, o cliente conseguirá pagar contas, investir, contratar seguros, comparar alternativas, obter melhores créditos e muito mais. Tudo isso de forma segura e rápida, podendo que qualquer empresa possa integrar serviços financeiros às suas soluções via APIs. Em suma, o uso do Open Banking cria um ambiente propício para serviços e produtos de maior qualidade, simples, rápidos e seguros para os clientes.

Inclusão financeira e o uso do Open Banking 

O Brasil possui cerca de 60 milhões de pessoas desbancarizadas, ou seja, sem acesso a qualquer tipo de serviços financeiros, como conta-corrente, cartões de crédito e empréstimos.

Para Boanerges Freire, sócio da Boanerges&Cia Consultoria, “se o único efeito do Open Banking fosse a inclusão financeira, já estaria ótimo, porque esse é um objetivo estrutural, ou seja, incluir as pessoas de mais baixa renda, educação ou que tenham dificuldades de entendimento e acesso a tecnologia e pequenos negócios, como MEIs e MEs. Enfim, é uma enorme população desbancarizada ou sub-bancarizada que pode ser incluída ou melhorar o mundo dos serviços financeiros de forma barata e segura”.

“Segundo a EY, haverá um enorme ganho de receitas [com o uso do Open Banking], mas isso não é o mais importante. O maior valor é a melhor qualidade de vida, o reconhecimento e efetivação da cidadania [dessa população marginalizada e em geral]”, complementa Boanerges.

Com serviços e produtos mais acessíveis, simples, seguros e baratos, muitas pessoas que nunca tiveram uma conta corrente passam a ter acesso. Fintechs em parceria com instituições consolidadas conseguem, por exemplo, levar o microcrédito para essa população, fomentando o desenvolvimento econômico e social de regiões marginalizadas.

Em geral, o uso do Open Banking trará:

  • Melhoria dos serviços e produtos financeiros;
  • Experiência integrada e focada no cliente;
  • Maior acesso dos serviços financeiros pela população desbancarizada;
  • Mais transparência e eficiência nas relações entre clientes e empresas;
  • Maior competitividade e inovação.
O uso do Open Banking possibilita experiências integradas em diferentes dispositivos e permitindo a inclusão financeira

Os desafios do Open Banking

Apesar do uso do Open Banking trazer diversos benefícios, o sistema continua com forte resistência. Segundo uma pesquisa de 2020 pelo C6 Bank/IBOPEdtm, apenas 2% dos internautas afirmam conhecer bem o Open Banking.

Enquanto isso, 46% não têm interesse em compartilhar os dados e outros 72% se preocupam com quem terá acesso a essas informações. Ainda assim, à medida que o tempo passa o nível de interesse vai crescendo, assim como aconteceu com o PIX (sistema de pagamento instantâneo) que já se tornou a forma de pagamento preferida dos brasileiros.

Nesse sentido, um dos maiores desafios da implementação e uso do Open Banking está na educação e conscientização da população sobre o sistema. Para Bruno Diniz, diretor da FDATA South America, “todo ponto de partida de qualquer nova inovação é deixar claro pro usuário o que ele ganha com isso, mais do que tentar explicar isso pelo ponto de vista tecnológico e técnico”.

Como será o uso de dados dos clientes 

No uso do Open Banking podemos identificar três categorias de participantes:

  • Participantes obrigatórios: são os bancos;
  • Receptores de dados: são empresas, como fintechs e bancos, reguladas pelo Banco Central e autorizadas a receber os dados de clientes, que são enviados por outra instituição, para realizar as operações solicitadas.
  • Transmissores de dados: são as empresas indiretas, isto é, realizam o envio das informações que o cliente deseja integrar a uma outra instituição.

Esses últimos podem ser vistos como “centralizadores” ou Third Party Provider (TPP), que são participantes indiretos que prestam serviços ligados às instituições membros, que são conectadas ao diretório do Open Banking.

É através do TPP que é possível que grandes varejistas ofereçam serviços financeiros com margens competitivas e melhorando a experiência de seus clientes. Isso porque essas empresas não precisam ser financeiras, pois irão apenas integrar seus clientes com as soluções de diferentes parceiros.

Além disso, os clientes possuem total controle de suas informações, ou seja, somente com consentimento e no período acordado que os dados são compartilhados. Bem como os usuários podem transferir seus dados de uma instituição para outra sem dificuldades, afinal, as informações são deles.

Casos de uso do Open Banking

O uso do Open Banking abre um universo de possibilidade, sendo os mais comuns:

  • Conseguir empréstimo em uma instituição que não possui histórico ao compartilhar as informações da empresa antiga;
  • Abrir nova conta com dados da antiga — mantendo as duas contas;
  • Reunir dados de diferentes instituições em um único aplicativo;
  • Fazer pagamentos por diferentes meios, como por comando de voz pela Alexa;
  • Encaminhar proposta de crédito em buscadores de empréstimo; entre outros.

Uso do Open Banking na inovação do setor financeiro das empresas

Além desses usos comuns, diferentes empresas podem ter nova camada de serviços financeiros, sem se precisar se tornar um banco ou fintech. Assim, é possível criar plataformas financeiras para relacionamento com fornecedores, clientes e funcionários. 

Boanerges traz como exemplo o Grupo Martins que teve que criar um banco para ter essa estrutura e oferecer produtos financeiros. Entretanto, a partir do uso do Open Banking, as indústrias poderão criar essas plataformas financeiras sem precisar ser um banco.

Por exemplo, uma das soluções de Open Banking da FCamara é o “Payment Initiation”. Com essa solução, as empresas podem disparar pagamentos em todos modelos possíveis e em lote, além de receber de outras instituições.

Assim, bancos não são os únicos a prestarem serviços financeiros. Logo, há muito mais competição de modo a gerar melhores ganhos para os clientes. O efeito último será um crescimento e desenvolvimento socioeconômico enorme.

Inovação nos meios de pagamentos e inclusão financeira

A inclusão financeira é outro ponto de destaque no uso do Open Banking. Como exemplo recente, o WhatsApp acaba de lançar sua funcionalidade de iniciador de pagamento, o WhatsApp Pay.

Assim, qualquer pessoa poderá enviar e receber dinheiro de amigos e familiares sem custo adicional diretamente das conversas. Isso sem precisar que o WhatsApp tenha que criar um banco, uma vez que os pagamentos são processados pela Cielo, sendo o mensageiro apenas responsável por transmitir os dados com consentimento do usuário.

O aplicativo está presente em 99% dos celulares, ou seja, é o ambiente ideal para ter uma função dessa. Desse modo, a população desbancarizada estará tendo seu primeiro contato aos serviços financeiros de qualidade e de forma gratuita. 

Open Banking também significa maior inclusão financeira e inovação nos meios de pagamentos

Praticidade e benefícios

Lorain Pazzeto, Head de Open Banking do FCamara, traz o exemplo de uma empresa de seguros que faz uso do Open Banking para oferecer seguros conforme o momento do cliente. Se a pessoa estiver em uma estação de ski, o app oferece um seguro de vida por tantas horas por um valor mais em conta. 

Boanerges expande esse exemplo para possibilidades no seguro de veículos. Ou seja, quando o carro está na garagem, não há necessidade do seguro, mas ao usá-lo na estrada, sim. Logo, o cliente poderia contratar esses serviços conforme suas necessidades. Tudo isso é possibilitado pela tecnologia.

Nesse contexto, o uso do Open Banking promove uma cultura de “open society”, ou seja, uma sociedade com base nos dados abertos com consentimento. Assim, abrindo portas para inovações em diferentes áreas, não apenas as finanças, com objetivo de mais qualidade, baixo custo, flexibilidade, agilidade e segurança em qualquer produto e serviço.

Gestão financeira e impacto socioambiental

Na área de finanças pessoais, Bruno Diniz traz como exemplo uma fintech britânica, a Minimum, que mapeia as compras dos clientes, analisando diversas informações da empresa e local de compra. Com as informações, o aplicativo calcula a pegada de carbono gerado, cruzando com informações sobre a empresa se ela tem alguma campanha para redução de emissão de carbono.

Com esses dados, o cliente tem noção exata de sua pegada de carbono e, no aplicativo, recebe dicas para reduzir essa pegada e alternativas de investimento para compensar pelas emissões.

Nesse sentido, o uso do Open Banking possibilita uma gestão de finanças pessoais com apoio da inteligência artificial e ainda permite que as pessoas sejam mais ambientalmente conscientes. 

Outro exemplo clássico para gestão financeira são os aplicativos que agregam dados de diferentes instituições. Dessa forma, o cliente visualiza toda sua vida financeira com facilidade e pode até realizar operações. 

O uso do Open Banking pelos governos

Por fim, o uso do Open Banking também traz benefícios para o governo. Bruno Diniz comenta que, durante a pandemia, o governo do Reino Unido fez parceria com duas fintechs que utilizavam o Open Banking UK para ler as contas de empresas e verificar se elas eram elegíveis para os programas de empréstimo subsidiado.

Esse é um tipo de tecnologia importante para governos. Afinal, nos EUA houve o mesmo tipo de programa de crédito subsidiado, mas com muitas fraudes e empresas que não deveriam receber o auxílio sendo aprovadas.

Isso aconteceu, pois os órgãos não possuíam estrutura suficiente para verificar com segurança as informações de todas as solicitações. Então, o Open Banking pode ajudar até os governos a implementar políticas públicas com mais assertividade e segurança.

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