Superapps: varejo e serviços financeiros em um só lugar

o que são os superapps

Há quem tenha previsto o fim do “www” com uma migração completa para a era dos apps no momento em que eles começaram a se popularizar com a entrada do iPhone no mercado. Nesse início, como nas aplicações para computador, os apps de celular se propunham a resolver um problema específico, especializando-se e escalando dentro das linhas possíveis para aquele objetivo.

Entretanto, isso está mudando. A onda de superapps começou na China, em 2011 com aplicativos como o WeChat, em que é possível desde realmente conversar com contatos até fazer pagamentos, reservar tíquetes em meios de transporte, pagar compras, marcar consultas etc. Vendo esse movimento crescente num país continental como a China, o Ocidente também vem fazendo suas tentativas de criação de aplicativos generalistas na esperança de dominar diferentes mercados.

Varejistas e tecnologia no Brasil

O movimento que vemos no Brasil tem duas frentes. Uma é mais orgânica e mostra como o WhatsApp está se tornando, a exemplo do WeChat e incentivado pelo Facebook, um app por meio do qual se pode resolver tudo e mais um pouco, sobretudo com a recente autorização, pelo Banco Central, do WhatsApp Payment, demandada principalmente pelo crescimento exponencial da plataforma no país. 

E a outra vem das varejistas, que começaram apenas com a reprodução de produtos já oferecidos nas lojas físicas – especialmente eletroeletrônicos, mas depois de se empenharem na busca pela exponencialidade através da transformação das operações digitais em marketplaces. Agora elas querem oferecer ainda mais aos clientes que estão em suas plataformas. 

Esse movimento de migração para o conceito de superaplicativos se vê nas aquisições de startups das gigantes, por exemplo, na área de finanças para implementação das próprias carteiras digitais, até parcerias com lojas de outras categorias (moda, home center, etc.) e oferta de serviços (entregadores, faxineiros, encanadores, etc.).

Os desafios para o estabelecimento de superapps

Nesse cenário, as varejistas têm o desafio de se tornarem algo tão presente na vida das pessoas quanto o WhatsApp. Elas precisam também entender que tipo de comodidade esse público busca quando recorre às compras e contratações de serviços por meio do mensageiro. 

Com a pandemia, outros players passaram a disputar espaço nos celulares, como os apps de corridas e entregas de comida, que já expandiram suas atividades para oferecer também produtos de farmácias e supermercados.

Mudança nos canais de varejo

Omnichannel deixou de ser novidade para ser fundamental – pelo menos nas atividades das grandes marcas – há algum tempo. Mas, se a tendência dos superaplicativos se confirmar, podemos ver uma migração do omnichannel para o channel-centricity, com as mais diversas experiências de consumo concentradas em um software.

Essa preferência tem sido verificada principalmente nos mercados emergentes, como Índia, África e América Latina, o que se explica por fatores como democratização do acesso à internet por meio dos smartphones e alta densidade populacional altamente voltada ao consumo local.

Assim, não só as compras e os meios de pagamento compartilharão espaço sob uma mesma marca, como será possível contar com variados – e talvez ainda inimagináveis – tipos de serviços disponíveis. Os players precisam, agora, começar a considerar essa possível realidade em suas estratégias.

Autor:

Orlando Ovigli – Partner e VP Omnicommerce do Grupo FCamara

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