Prepare-se: depois do Open Banking, vem aí o Open Insurance

Prepare-se: depois do Open Banking vem ai o Open Insurance

Trata-se do maior projeto de dados e APIs abertas (Open Insurance) no setor de Seguros e, evidentemente, complementa os projetos de Open Banking Open Finance – já em curso pelo Banco Central. São transformações que, cedo ou tarde, iriam acontecer também na indústria de seguros – estejam as empresas preparadas ou não. 

Quem encabeça esse movimento é a Susep (Superintendência de Seguros Privados). Em sua proposta, Open Insurance é o

compartilhamento padronizado de dados e serviços por meio da abertura e integração de sistemas no âmbito dos mercados de seguros, previdência complementar aberta e capitalização.

Essa proposta busca modernizar e simplificar o mercado de seguros, além de colocar o setor em consonância com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Em vigor desde setembro de 2020, ela garante a cada cidadão o direito à portabilidade dos seus dados, demandando ao fornecedor de produtos e serviços o compartilhamento deles quando consentir. 

São os ares de mudanças que finalmente chegam a esse mercado. A Circular 621, publicada em fevereiro deste ano, acaba com seguros padronizados e o processo de aprovação da autarquia para cada produto criado – o que dá liberdade às seguradoras para oferecer serviços de acordo com as necessidades dos clientes. Há desafios, evidentemente, como o papel ainda mais consultivo dos corretores com a possibilidade de combos e coberturas que podem ser agregados em uma única apólice. 

No fundo, é isso que está em jogo com a entrada do Open Insurance no tabuleiro de inovação. É preciso privilegiar o segurado, garantindo a ele o acesso a produtos e serviços que realmente façam diferença em sua vida. Quem perceber isso nesses primeiros movimentos certamente colherá ótimos frutos quando esse projeto finalmente sair do papel. 

APIs, ecossistemas e compartilhamento de informações estão levando a novas mudanças de paradigma. Que seja apenas o começo do Open Innovation, um novo conceito de desenvolvimento e disponibilidade de produtos, coberturas e garantias em diversos setores. 

Por que o Open Insurance é importante?

Assim como as insurtechs trouxeram para o mercado de seguros a modernização que os bancos experimentaram com as fintechs, o Open Insurance faz parte do movimento do Open Banking. Com ele, a pessoa decide quando e com quem deseja compartilhar seus dados financeiros, permitindo às empresas criarem produtos e serviços financeiros que atendam às necessidades desses usuários. 

O compartilhamento, palavra imprescindível no ambiente digital, favorece a criação e a oferta de serviços bem mais certeiros aos clientes segurados. Quando os dados podem circular de forma segura e aberta, é possível ampliar a concorrência tanto para corretores quanto para seguradoras – principalmente a partir da entrada de novos players interessados na versatilidade dos produtos. 

Essa é uma das bases, inclusive, sob o conceito de experiência do usuário. Quem deseja oferecer um relacionamento mais personalizado a seus consumidores sabe que o primeiro passo é identificar suas preferências, desejos e necessidades. Algo que, em um ambiente cada vez mais digital, somente a análise de dados pode oferecer com excelência. 

No caso do Open Insurance, o segurado é o grande beneficiário desse processo inovador. É a partir dele (e para ele) que novos serviços e propostas sairão do papel e se tornarão realidade, promovendo uma reação em cadeia em que os demais segmentos do mercado também se beneficiam e enobrecem, ainda mais, o digno princípio da essência do seguro.

O que esperar do Open Insurance

Da mesma forma que no Open Banking, a Europa está bem mais adiantada neste quesito. Lá, a lista de parceiros técnicos inclui a D4Next, desenvolvedora de uma plataforma de seguro digital nativa que promove o conceito de ecossistema aberto. Outra empresa de destaque é a Radian, referência no uso de dados nesta área. 

Aqui no Brasil, a Susep colocou o tema em consulta pública no dia 22 de abril de 2021 com minutas de resolução e a circular para regulamentação do Open Insurance. O prazo para apresentação de sugestões à autarquia terminou em 25 de maio deste ano. Várias empresas participarão do projeto – e a FCamara será uma delas! 

Estima-se um prazo de dois anos para que todas as fases do projeto estejam concluídas, semelhante ao que está acontecendo neste momento com as instituições bancárias. São três fases aguardadas. A Fase 1, chamada de open data, contempla a disponibilização de dados de canais de atendimento e produtos disponíveis. 

A Fase 2 é o compartilhamento de dados pessoais e envolve o cadastro de clientes e representantes, movimentações dos clientes relacionadas aos produtos e registro de dispositivos eletrônicos. Por fim, na fase 3 ocorre a efetivação de serviços, com as etapas de contratação, endosso, resgate ou portabilidade, pagamento de sorteio, aviso de sinistros, entre outros. 

Como se vê, há diferença entre os dados abertos de seguros (provenientes de sociedades supervisionadas pela Susep, abertos ao público, disponíveis por meio de API e com desenvolvimento de marketplace) e os dados pessoais de seguros (dos cadastros do cliente, com necessário consentimento dele e compartilhado com outra sociedade participante do ecossistema). Além deles, ainda há serviços relacionados a seguros, cujo foco é melhorar ainda mais a experiência do consumidor. 

Qual papel as empresas irão exercer? 

O ditado popular é sábio quando diz que “passarinho que acorda cedo bebe água limpa”. Quando o assunto é inovação, não há espaço para a hesitação. A recomendação é agir rápido: é melhor errar, aprender e consertar rapidamente do que ficar esperando por um momento que, quando aparecer, pode ser tarde demais. 

Open Insurance já é realidade e tem o objetivo de simplificar e agilizar um mercado bastante complexo – da mesma forma que era o sistema bancário há alguns anos e, hoje, já vemos soluções como o PIX revolucionarem os pagamentos. Nessa caminhada, ou as empresas ficam paradas ou resolvem andar e acompanhar a inovação. 

Nós resolvemos caminhar. Quem mais vai com a gente? 

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Artigo escrito pelo Sócio | VP de Transformação Digital e Inovação | Transformando ideias em Experiências Digitais, Kleber Santos
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