Por que a cultura de inovação é ideal para empoderar profissionais de saúde?

Por que a cultura de inovação é ideal para empoderar profissionais de saúde?

Soluções verdadeiramente transformadoras nascem a partir da observação de pessoas atentas. É exatamente por isso que os profissionais atuantes na linha de frente do negócio devem ter voz no desenvolvimento da estratégia de qualquer organização. Falta às empresas brasileiras uma cultura de inovação consolidada na área da saúde.

Isso vale para o varejo, a indústria e, principalmente, os hospitais e consultórios. Quantas vezes não fomos a uma consulta e nos deparamos com situações que atrapalham (e muito) a nossa experiência enquanto pacientes? Quem nunca se incomodou em esperar vários minutos na recepção ou repetir as mesmas informações a cada visita que levante a mão. 

São apenas dois exemplos bastante comuns a médicos e enfermeiras – e eles precisam lidar com essas e outras questões diariamente em seus trabalhos. Se há profissionais que reconhecem as dificuldades relacionadas à área de saúde são justamente esses profissionais que ficam na linha de frente com os pacientes. Nada mais adequado que partam deles as ideias que darão origem a soluções inovadoras. 

É neste ponto que entra a proposta de cultura de inovação. Para que essa visão fique mais clara, vale retomar um pouco o seu conceito. Podemos entendê-la como uma estratégia que combina valores e ações para estimular a criatividade, o pensamento crítico e a busca por soluções não apenas nos altos cargos diretivos, mas também entre aqueles que estão no dia a dia do negócio, colocando a mão na massa e sentindo na pele todos os problemas. 

Na área de saúde, especificamente, é a possibilidade de empoderar médicos e enfermeiros para que eles também possam fazer parte desse movimento de transformação. Eles têm muito a contribuir com a visão de quem está no dia a dia ouvindo as necessidades, os desejos e as expectativas dos pacientes. 

É uma realidade necessária diante do contexto de transformação digital do setor. A cada quatro pessoas, três desejam utilizar serviços digitais de saúde no futuro, segundo pesquisa da McKinsey & Company. Hospitais e consultórios que incorporam essa tendência têm 50% mais chances de melhorar sua participação no mercado. 

Não é exagero dizer que a presença de tecnologias na área de saúde avançou vinte anos em apenas um com a pandemia de covid-19. Serviços que pareciam distantes a nossa realidade, como a telemedicina, foram adotados às pressas e rapidamente aceitos por pacientes e profissionais. As mudanças nesse ecossistema estão aceleradas e o desenvolvimento de soluções que atendam a essas novas demandas precisa acompanhar esse ritmo. 

Cultura de inovação em saúde passa pelos dados e mindset

É inegável que os médicos têm diante de si oportunidades para mudar suas rotinas produtivas e melhorar a experiência de seus pacientes. O primeiro passo para isso é a utilização constante de dados para embasar suas estratégias e fornecer os insumos para o desenvolvimento das soluções. 

O cenário está propício para isso. Nunca antes o setor de saúde teve tantos dados à disposição. São informações sobre pacientes, o mercado em si, pesquisas científicas, diagnósticos, medicamentos, entre outros que podem ser combinados e cruzados para fornecer insights na tomada de decisão e melhorar o atendimento e a experiência de seus pacientes.  

Dados e inovação têm uma relação transversal: não há inovação sem a utilização adequada de informações, assim como a inovação consegue gerar mais insights que podem resultar em novas soluções no futuro. Quando isso entra na missão e nos valores da organização, a assimilação de seus conceitos se torna natural. 

A cultura de inovação possibilita uma mudança de mindset entre os profissionais que estão na linha de frente com os pacientes. De receosos em assumirem esse novo papel, médicos e enfermeiros passam a enxergar soluções criativas em seus trabalhos. Termos como “protótipo” e “MVP” (produto mínimo viável) passam a fazer parte de seus discursos da mesma forma como remédios e exames. 

Como a cultura da inovação e inteligência nos dados estão transformando a saúde na Coreia do Sul? 

O Brasil ainda está começando sua jornada de transformação digital na saúde e pode se inspirar com bons exemplos praticados no exterior. A Coreia do Sul virou referência no uso de dados e inovação no setor de saúde graças a seu trabalho desenvolvido durante a pandemia de covid-19. Do início da doença até maio de 2021, o número total de mortes no país asiático era inferior a 2 mil e o total de casos era de 138 mil – uma realidade bem diferente da que estamos presenciando em nosso país. 

O segredo para o sucesso sul-coreano é proveniente de dois fatos relacionados entre si. O primeiro deles é a aplicação de testes em massa na população e em seus visitantes, identificando rapidamente quem estava infectado. Para se ter uma ideia, em um mês de pandemia, o país já tinha testado 46 mil pessoas – nos Estados Unidos essa marca não chegava a 450 no mesmo período (cem vezes menos).

De posse dessas informações, o governo, com apoio da iniciativa privada, criou um aplicativo de geolocalização que compilava os dados e monitorava a movimentação das pessoas em seu território. Assim, era possível prever regiões com mais riscos de ter casos e até alertar as pessoas caso se aproximassem de áreas com maior perigo de contágio. 

O sucesso no uso de dados e tecnologia no enfrentamento à pandemia fez a Coreia do Sul ampliar a busca por inovação no setor de saúde. A mais recente movimentação inclui a criação de um enorme banco de dados médicos de mais de 1 milhão de pessoas. O investimento para a criação é de quase US$ 900 milhões. 

A previsão é iniciar a operação do Bio Data Dam até 2028. Nele, haverá informações de mais de 400 mil pacientes com câncer e doenças raras incuráveis e outros 600 mil voluntários. A partir daí, o objetivo é produzir dados genômicos de qualidade para facilitar o desenvolvimento de medicamentos e aplicações de saúde. 

A inovação na saúde acontece no dia a dia

A boa notícia é que alguns cases começam a despontar no Brasil. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na cidade de São Paulo, possui uma plataforma específica que combina a força de trabalho administrativa e assistencial com ideias e sugestões de projetos a partir das contribuições de todos os profissionais. Trata-se da Fabrik, uma iniciativa desenvolvida pela FCamara a partir de uma plataforma de aceleração de cultura de inovação chamada Imagine.

Ainda que seja tentador imaginar a figura de mentes brilhantes que pensam ideias criativas e inovadoras, o fato é que por trás de cada solução eficiente há um intenso trabalho de pesquisa e desenvolvimento capaz de estudar cenários, analisar projeções, levantar tendências e testar a viabilidade de uma tecnologia na rotina médica. 

A inovação não acontece apenas em grandes laboratórios e escritórios; ela começa no dia a dia, nas conversas entre médicos e pacientes e nas reclamações que envolvem a experiência das pessoas em consultórios e hospitais. É essencial que esses profissionais tenham a liberdade e o espaço necessários para participarem do processo. Eles precisam ser empoderados! 

Que seja apenas o início de uma verdadeira revolução digital no setor de saúde. Passou da hora de cuidarmos da nossa qualidade de vida em vez de só tratarmos as doenças quando aparecem.

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Artigo escrito pelo Sócio | VP de Transformação Digital e Inovação Kleber Santos.
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