Open Banking: o que é e o que esperar da Fase 3

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A implementação do Open Banking foi dividida em 4 fases, cada uma evoluindo o sistema e estamos próximos da Fase 3, uma das mais significativas do ponto de vista das novas possibilidades. 

Além de novos avanços em segurança, esse novo momento do sistema trará tecnologias que irão impulsionar a inovação e criação de novos negócios, com a presença de iniciadores de pagamento, PIX e oferta de crédito. 

Então, vamos dar um panorama das fases anteriores e o que podemos esperar nas próximas fases do Open Banking:

Fase 1 – Compartilhamento de dados de grandes bancos

A fase 1 do Open Banking, que já foi implementada, referia-se ao compartilhamento de dados sobre produtos e serviços dos grandes bancos. Com isso, outras empresas podem fazer o consumo desses dados via API. Por exemplo, é possível o surgimento de comparadores de produtos e serviços bancários.

Fase 2 – Compartilhamento de dados de clientes

Implementada em julho, a segunda etapa do Open Banking permite que o cliente faça a portabilidade de suas informações entre as instituições participantes.

Com isso, clientes podem compartilhar suas informações com outras fintechs. Por exemplo, é possível integrar as movimentações bancárias de diferentes contas bancárias em um aplicativo de controle financeiro.

Fase 3 – Iniciação de pagamentos e propostas de crédito

A fase 3 do Open Banking, prevista para implementação em 30 de agosto de 2021, possibilita a iniciação de pagamentos através de terceiros.

Nesse sentido, o Banco Central criou a figura do iniciador de pagamentos, uma empresa que poderá transferir recursos em nome do cliente sem precisar utilizar os meios convencionais, como o trilho do cartão de crédito.

Assim, um aplicativo de mensagens, por exemplo, poderá implementar uma funcionalidade de envio de dinheiro entre contatos ao atuar como um iniciador de pagamentos.

Também será possível fazer encaminhamento de propostas de crédito via Open Banking, facilitando a concessão de crédito aos clientes.

Fase 4 – Início do Open Finance

Por fim, a fase 4 recebe o nome Open Finance, por englobar outras operações, como câmbio, seguros e investimentos. Assim, nesta etapa terá o envolvimento de outras autarquias, como SUSEP e CVM.

A fase 4 está prevista para 15 de dezembro de 2021, contudo há um longo caminho pela frente. O Reino Unido, que é o país pioneiro na implementação do Open Banking, está começando as discussões sobre a implementação desses outros produtos.

Em suma, a fase 4 irá transformar o setor financeiro, levando mais transparência, flexibilidade e inovação, preparando o terreno para novas tecnologias e negócios surgirem.

Como ficará a utilização de dados na fase 3?

Além de todos os protocolos de segurança já implementados, nesta fase haverá a preocupação com a idempotência das solicitações de dados no Open Banking.

A idempotência é um método de solicitação que pode ser chamado múltiplas vezes sem entregar resultados diferentes ou efeitos colaterais. Quando falamos de pagamentos, a falta da idempotência nos métodos pode ocasionar, por exemplo, pagamentos duplicados.

Assim, na fase 3 do Open Banking é tratado da mitigação desse risco ao implementar a idempotência no método POST e validação GUID. Em outras palavras, será instaurado sistemas que previnam, por exemplo, riscos de pagamento duplicado, ou seja, mais segurança ao Open Banking.

As novas tecnologias da fase 3 

Segundo uma pesquisa global, os serviços digitais são uma prioridade de 85% das instituições financeiras. Ao passo que 70% dos entrevistados pretendem investir em tecnologias que fortalecem o posicionamento competitivo.

Nesse cenário, o Open Banking é uma evolução natural, necessária e oportuna para diferentes players do mercado. É nesse sentido que as tecnologias dessa nova fase irá focar, como:

Iniciação de pagamentos

Um dos grandes impactos do Open Banking acontecerá na fase 3, com a implementação da figura do iniciador de pagamentos. Isso porque abrirá infinitas possibilidades para novas tecnologias e negócios surgirem.

Pagamento com Pix 

O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, PIX, tornou-se rapidamente uma das principais formas de pagamentos pelos brasileiros, devido à sua conveniência e baixo custo.

Assim, a fase 3 terá o oferecimento do PIX como forma de pagamento disponível para as instituições participantes do Open Banking. Desse modo, será aliado às duas tecnologias que permitem potencializar a experiência do usuário e agregar valor ao cliente.

Operação de crédito entre instituições financeiras 

Outra grande novidade da fase 3 do Open Banking será a possibilidade de envio de proposta de crédito entre instituições financeiras. Aliás, esse poderá ser um meio alternativo para análise de crédito dos clientes.

Impacto da fase 3 do Open Banking no sistema Pix

O Open Banking e sistema Pix são tecnologias complementares, uma vez que ambos aumentam a transparência, competitividade e a visibilidade de produtos para os consumidores.

Nesse sentido, Carolina Sansão, gerente de inovação e tecnologia da Febraban, aponta que ambas tecnologias são mais duas ferramentas que as empresas terão para proporcionar maior conveniência, facilidade e valor para os clientes em suas movimentações financeiras, assim como ocorre com o mobile e internet banking.

O Pix é um sistema poderoso para promover a inclusão financeira da população brasileira, que atualmente possui cerca de 60 milhões de pessoas bancarizadas. Ao passo que o Open Banking impulsiona a transformação digital do mercado financeiro e aumenta as ofertas de valor para clientes. Em uma pesquisa do time da FCamara, aponta-se que cerca de 5 milhões de brasileiros devem aderir ao Open Banking nos próximos 12 meses.

Em suma, podemos observar que a nova fase do Open Banking e o PIX são fortes aliados para fomentar um mercado financeiro mais transparente, ágil e inovador, além de promover a inclusão digital e financeira da população brasileira.

As possibilidades da Fase 3 do Open Banking 

A colaboração de grandes instituições financeiras com fintechs e outras empresas apresenta um potencial enorme para inovações e serviços à população.

Como mencionado, o Open Banking, juntamente com os pagamentos instantâneos, tendem a impulsionar a inclusão financeira, possibilitando, por exemplo, o estímulo ao microcrédito que permite intensificar a criação de novos negócios e a construção do histórico de crédito dos clientes que antes eram financeiramente marginalizados.

Enfim, a fase 3 do Open Banking vai proporcionar uma visão completa e unificada do cliente, além do maior controle dos dados por seus titulares. Tudo isso abrirá novas possibilidades, especialmente na próxima fase que trará novos produtos e serviços, como investimentos e seguros, permitindo a oferta de serviços sob medida.

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